19.10.06

Magic carpet ride


Ahhh... A pós-modernidade....
Em uma das poucas aulas que eu lembro de ter assistido de fato na pós-graduação e em uma outra na graduação, discutimos as necessidades do homem pós-moderno. Como a velocidade das informações e a facilidade com a qual as obtemos aumentam a ansiedade pelo novo criando um ciclo vicioso infernal. É quase como a aquela história de que todo sábio sabe que pouco sabe porque tem conhecimento de que poderia saber mais.
Se tem uma coisa que eu gosto é de viver nessa época de muita informação, tecnologia e novidades. Nada como descobrir um programa novo, uma banda nova, uma nova forma de interação.
Assim, como nos últimos dias tenho me encontrado em um período merecido de férias, tenho me dedicado a conhecer um pouco de coisas novas, ler alguns livros atrasados, e reviver alguns vícios que se encontravam adormecidos.
Nesses últimos dias também estreou na rede americana ABC a nova temporada do Lost.
Pra que, não é mesmo? Depois de uma avalanche de episódios da primeira e da segunda temporada (parte de reviver os vicíos que andavam meio de lado), entrei num frenesi de assistir agora, e não em março do ano que vem, os episódios a serem lançados por lá, o mais rápido que a minha pobre conexão terceiro-mundista me permitir. Muita gente baixou, mas no fim das contas é uma enrolação juntar todos que querem ver, e assim acabei sendo a última a ter acesso aos dois primeiros episódios. E como, apesar de adorar toda essa história de tecnologia, sempre acabo me perdendo na hora de fazê-la funcionar, recorri ao youtube em uma noite de desespero.
E achei. E assisti. E fiquei na ânsia por mais.
E então chegou a quarta-feira, o dia da semana que Lost estréia por lá. E de novo, teria que entrar naquela de esperar mais um tempo por uma alma caridosa que baixasse o dito episódio novo. Ou por uma outra que disponibilizasse o capítulo, divido em quatro partes no youtube.
Que nada. De tanto fuçar descobri um programa que há alguns meses tinha sido muito falado devido a um acordo de transmissão com emissoras do mundo. Você já conhece o TVU player? Da Fox à Al Jazeera, passando pelo Cartoon Network (com Futurama de fundo em quanto eu escrevo este post), é possível assistir uma variedade de programas de dar inveja à minha TV a cabo, que por sinal acredito estar fadada ao esquecimento nos próximos anos.
Bem-vindo ao incrível mundo dos Jetsons. Até que não demorou tanto assim.
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ps. se quiser baixar o TVU player, vai aqui ó: http://tvunetworks.com/
ps2. se quiser assitir ao próximo episódio do lost, quarta-feira, 1 da manhã na ABC (canal 10016 do TVU)

22.9.06

Tribunal de causas realmente pequenas


Há extamente um ano eu me tornei uma ilustríssima senhora. Comecei a minha carreira como servidora do estado.
E sabe o que é engraçado? Só depois que você começa a trabalhar na esfera pública você entende o porquê de todas as piadas e comentários maldosos feitos às custas de funcionários públicos. E o triste disso é que mesmo com todos os burocratas ignorantes que você vai encontrar pelo caminho, eventualmente pode empatar com pessoas interessantes, honestas e trabalhadoras. E são essas que só se dão mal.
É um paradigma cultural e ético na verdade. Por um lado, os rótulos já estão ali, prontos para serem usados, e por mais que você não concorde com eles, acaba por entender a motivação de quem os criou. E por outro, alguns desses rótulos são as características que podem te ajudar ir pra frente. Asqueroso pensar nisso.
Enfim, pra aqueles que se sentem ultrajados pela população, superiores e sindicatos, pela falta de aumento no salário decorrente de mera implicância do chefe do executivo com o poder judiciário do estado, pode se tornar um inferno levantar cedo e dar seu sangue nas atividades diárias. Mas depois desse ano, começo a perceber que tudo é uma questão de saber respirar fundo e se tornar dormente frente a tanta barbaridade. Como por o carro em ponto morto, sabe?

Enfim, a iniciativa privada não é a saída mais fácil também. Bom se pudessemos trabalhar como hobby, pra ocupar a cabeça e o tempo livre. Enquanto isso não é possível, fico aqui, contando pacientemente as semanas que faltam pras minhas férias.

20.9.06

Água


"Nóis mora aqui no poeirão
E existe todo dia uma hora da noite
Em que um trem no meu peito me diz
A água um dia vai cair"


Pare um pouquinho e dê uma olhada pela sua janela. Finalmente choveu em Curitiba.

18.9.06

Darts of pleasure


Um dia, arte moderna me fez pirar. Algum dia eu decidi que só deveria trabalhar quando precisasse de dinheiro. Esse último sábado, um barulho na minha cabeça me deixou descontrolada.
Após a confusão gerada, como de costume, por um órgão público besta, o Motomix aconteceu. E foi incrível.
Primeiro porque o show do Art Brut provou que escrever sobre coisas cotidianas mantém o rock vagabundo, desapegado e divertido, vivo. A força dessa banda nem tão conhecida por boa parte do público segurou todos, mesmo os mais ansiosos pela atração principal da noite, hipnotizados com a força dos instrumentos e o carisma de Eddie Argos. O cara pulou, se jogou no público, deu conselhos à platéia, e se esgoelou até não poder mais.
Segundo porque o encerramento de duas turnês (vez que a banda não parou entre o primeiro e o segundo album) do Franz Ferdinand aumentou a potência de um espetáculo que já seria grande por si só. Walk Away é agora a música mais inspiradora que eu já ouvi ao vivo. Barulho e despedidas podem ser extremamente poéticas.
Enfim, ainda tô meio sem palavras, sem fôlego e exausta. Mas refeita. A quantidade de adrenalina e dopamina que correram por mim esse fim de semana devem manter meu sorriso constante por um bom tempo.
ps. foi mal, mas o raconteurs vai ficar pra próxima postagem.
ps2. ingresso do TIM na mão!!!! Mas essa fica pra outra também.

11.9.06

Blue Veins


Terça passada foi aniversário de uma pessoa cuja existência afetou e afeta o rock de uma forma única.
Não, infelizmente não estou falando de mim... Achou que era mais uma viagem egocêntrica, hã?
No dia 05 de setembro de 1946, nasceu o dono de uma das vozes mais incríveis da música contemporânea. Freddy Mercury foi batizado com um nome estranho, num país perdido num continente inusitado, e se mudou pelos motivos que geralmente acontecem nesses países que forçam seus nacionais a partir.
Todas essas informações você pode obter nos diversos programas da TV a cabo e nos cadernos culturais da semana passada. O cara é tão bom que nenhum veículo passou o dia em que faria 60 anos sem falar nele. Corre atrás que vale à pena.
E voltando à terça passada, foi aniversário também de uma criatura cujos ouvidos vêm se educando, espero, cada vez mais. E de presente ganhei um CD fantástico que volto amanhã pra contar. Tenta adivinhar aí. A pista tá no titulo dessa postagem.... Só vou dizer que muita gente queria ter um projeto paralelo como esse.

1.9.06

I write sins not tragedies


Eita! Me rendi ao emo.....hahahahahahaha, é mentira!
Ontem rolou o Video Music Awards, prêmio da MTV americana aos músicos/clipes mais bacanas do ano. Será?
A escolha dos eleitos rolou pela votação no site da emissora, e os resultados me deram medo. Não vamos falar sobre as categorias estranhas, do gênero pop, hip hop, rap, etc. Vamos falar sobre o nosso estimado rock.
Alguém me explica porque diabos, num ano com álbuns novos incríveis, clipes muito, mas muito bem elaborados, a noite de ontem foi reinada por moleques pseudo-andrógenos maquiados e chorões?
O que diabos acontece com essa geração dos anos 2000? Numa época em que é possível encontrar e baixar em milésimos de segundos centenas de bandas interessantes, boas de fato, com discos bem produzidos e clipes criativos, a grande maioria dos adolescentes só quer saber de pintar os olhos de preto e chorar?
Não quero entrar no mérito estético do movimento emo, longe de mim... Cada um que se vista e ande do jeito e com quem quiser. Tá afim montar fotolog com poses de ladinho, esticando o braço como se não tivesse nenhum amigo no mundo pra bater a foto, beleza. Mas não venha me dizer que o melhor clipe do ano é o do Panic! at the disco. E o mais triste é que a apresentadora do prêmio nesse momento fez referência ao fato de que o clipe do ano é retrato não apenas da música, mas da realidade da juventude naquele ano. Como Jeremy do Pearl Jam foi no ano em que ganhou.
AAAAAAAAAAh!!!!! Me recuso a acreditar que esse é o retrato da juventude em 2006! O que pode-se esperar daqui pra frente então??? Como pode um programa que teve como trilha o excelente "projeto paralelo" de Jack White e a participação de Lou Reed na entrega de Videoclipe de Rock presentear apenas bandas com músicas medianas e clipes plagiados?
Acho que esse ano o VMB vai ser bem mais interessante do que seu primo mais rico.
obs. Ainda sem entrar no mérito do show do YYYs em Curitiba, pra não dar azar, mas o Lúcio Ribeiro postou no site dele uma tabela dos shows desse semestre. Impressa fica bem fácil de programar. O link é esse aqui ó:

30.8.06

Life wasted


Que sequência de dias inúteis. Ficar doente e ter que trabalhar é um saco. Não sei se estou fazendo o que tenho pra fazer direito, só consigo tossir e fungar. Droga de tempo seco dos infernos. Pelo menos tá mais frio.
Tava ouvindo Life Wasted do Pearl Jam agora. Que música boa. Na real esse album inteiro é muito bom. Legal ver que existem bandas que mesmo depois de algum tempo de estrada e alguns albuns não tão felizes no caminho conseguem montar um como o último deles (que por sinal chama Pearl Jam - acho o máximo uma banda existente há mais de uma década lançar um CD autointitulado). Isso sem contar que a arte da capa/encarte é linda.
Pronto, já deu pra passar mais um tempinho com esse post. Agora só falta meia hora pro final do expediente. Fiquem bem, se agasalhem e tomem bastante chá com mel e limão.
ps. Sim, eu provavelmente sou o ser mais feliz do universo com a vinda do Yeah Yeah Yeahs pra Curitiba. Mas só vou escrever sobre isso depois que estiver com o ingresso na mão. Só pra garantir.

16.8.06

Dancing Barefoot




Tem dias que todo a bagunça do universo fica centrada dentro da minha cabeça. E tudo em volta gira muito rápido. Acho que a minha mente seria um objeto de estudo muito mais interessante pra teoria do caos do que as máquinas de lavar roupa ou os chuviscos de televisão.
Cada dia que passa chego mais perto da certeza de que eu sou um ser muito confuso.


ps. essa imagem e outras bem bacanas eu encontrei em http://www.chromasia.com/

9.8.06

When I grow up


Muito do que eu sou hoje é completamente compreensível quando eu paro pra pensar na minha história preferida quando criança. Não só nela, mas como em todas que foram descobertas naquela época, já que a quantidade de contos contados, lidos ou presenteados por meus pais criaram em mim um mundo fantástico e de sonhos que até hoje me envolve, o que não apenas favorece o fato de eu viver no mundo da lua como também aumenta as minhas frustrações com a vida adulta e real.
Mas análises à parte, em noites como a de hoje, quando a lua completamente cheia envolve o ar e o céu que enchergo pela janela do meu quarto desde aqueles tempos, eu vestia a minha camisola azul, prendia meu cabelo em um meio-rabo e esperava fervorosamente por Peter Pan, e a incrível viagem à Terra do Nunca.
Perdi as contas de quantas vezes li esse livro. Sabia todos os diálogos. Batia palamas pra salvar a Sininho. Ficava ansiosa quando ouvia (sim, ouvia) o tic-tac do crocodilo chegando perto do navio do Capitão Gancho. E como eu detestava esse cara...
Mas o engraçado é que só hoje, muitos anos e muitos centímetros de altura depois, entendi qual é o problema desse pobre coitado. Não era tristeza pela mão comida, ou pelo relógio que ainda funcionava, mas simplesmente pelo fato dele funcionar! O crocodilo nada mais era do que o tempo tirando pedaços do adulto, até que por fim o comesse por inteiro. Eu acabei com o mesmo temor do Capitão Gancho, e dessa vez acho que vou ser mordida nos fundilhos, bem como no desenho do livro que guardo até hoje!
Enfim, esse post surgiu de uma noite enluarada, fotos de criança e um filme adorável de como poderia ter sido o nascimento dessa história tão incrível. Se tiver tempo, alugue "Em busca da Terra do Nunca", acho que vale a pena.
ps. Até hoje não sei como termina o livro. Ficar lá pelas últimas páginas e ainda na terra de Peter Pan e dos Garotos Perdidos sempre foi mais divertido.

21.7.06

Upon this tidal wave of young blood

Tinha guardado esse título pra uma postagem que eu estava elaborando sobre música e pós-modernidade. Profundo, não? Na real era sobre a acessibilidade da música com tantos instrumentos e mídias voltados para ela. Como a internet, os programas peer to peer, os podcasts e os mp3 players, além das novas revistas e blogs sobre o cotidiano do rock possibilitam à nossa geração e as que seguem conhecer bem mais sobre a música do que eu poderia ter descoberto quando tinha 14 anos. Porque tudo isso tem a ver com essa vontade incrível e infreável de descobrir que nós jovens temos. Por causa desse nosso sangue jovem.
Infelizmente, lendo o jornal essa tarde me deparei com uma manchete que dizia: "Israel convoca milhares de reservistas e declara estar em guerra.". Mais uma vez a força dessa onda descontrolada de juventude vai ser usada pra isso.
Essa postagem não é um discurso à la "faça música, não faça guerra". Israel e qualquer outro povo do mundo árabe nunca vão estar em paz, a gente já entendeu isso... Muita gente ainda vai morrer por causa do petróleo. E muito mais por causa dos radicais, seja qual for o motivo do radicalismo.
A questão é que toda aquela tecnologia e facilidade que eu falei ali em cima vai ser jogada no lixo. São os jovens que vão pra guerra, são eles que morrem nos bombardeios. Gente que ainda nem teve tempo de ouvir uma guitarra destorcida ou descobrir o que é uma bateria, quem dirá entender porque seu quarto explodiu.
De qualquer forma, essa é mais uma das muitas guerras que a gente já teve oportunidade de assistir. E eu já estou ficando cansada de não ter o que fazer sobre isso. E me assusta, porque não sei até quando saber que uma população inteira está sendo dizimada vai me tocar. E se um dia eu me tornar indiferente a tudo isso?
There is danger in the night
There are things we can't control but
Will we give ourselves a fright
When we become less than human?
There are people who say why oh why oh why?
Now there are other ways to die

18.7.06

Same ghost every night



Essa história do homem ser um ser social é a mais pura e completa verdade. É muito difícil ficar completamente sozinho. E angustiante.
Sexta passada, por um motivo ou outro, ninguém na cidade de Curitiba queria sair de casa. Mas eu queria. Tinha trabalhado a semana inteira, o mínimo que podia desejar eram algumas horas de total distração, que não envolvessem meu quarto, minha cama e a presença única e indispensável de mim mesma.
Assim, juntei toda a vontade de me distrair com um pouquinho de boa vontade para fazer amigos e fui sozinha pro bar de mais fácil acesso. E devo dizer, que apesar de desconfortável à princípio, cheguei a conclusão de que sou uma ótima companhia!
Foi uma experiência, coloquemos assim. Melhor do que assistir reprise de seriado, ou filme ruim (elementos essenciais da programação televisiva de sexta à noite). E sugiro que todos experimentem um dia desses. Afinal, ser social ou não, a única certeza de companhia que temos somos nós mesmos.

13.7.06

Music is my hot sex


Uhhh título caliente... hahahahaha
Hoje é o dia mundial do rock. Merece uma postagem bem feita. Só que vou dizer uma coisa, é muito, mas muito difícil falar sobre uma coisa que faz tanto parte da minha vida.
Algumas das lembranças mais fortes que tenho da minha infância são relacionadas com meu pai e rock. Lembro dele cantando "ela é minha menina.... e eu sou o menino dela..." pra me fazer sorrir ou dormir. Ou toda vez que falava sobre a adolescência dele, vivida no começo de tudo lá nos anos 60, cantarolando "entrei na rua augusta a 120 por hora...". Ou ainda, como era bem mais divertido ir pra escola quando a Estação Primeira (onde cada pingo de chuva é motivo de rock) era a trilha sonora das histórias dele e de suas festinha mods.
Cada dia da semana, estação do ano ou época da minha vida é regada de rock. Ele me consola, me anima, me dá um ombro pra chorar, ou vale muitas risadas. Me faz dançar, me ajuda a trabalhar. Enfim... como já disse, é muito difícil de falar sobre algo que é tão parte de mim.
Então, hoje aumente o volume, quebre tudo e, nas palavras do vocalista do Autoramas: Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrroooock!!!

30.6.06

Sobre o tempo




Tempus fugit



Eu odeio o tempo. Ele passa, leva todo mundo embora e me deixa pra trás.

14.6.06

Evil and a heathen

Brasileiro é um tipo estranho. Que gosta de reclamar. Que gosta de futebol. E que gosta de reclamar sobre futebol.
Ontem, na estréia da seleção na copa, provavelmente o jogo mais antecipado e assistido no mundo, nosso time não pareceu dos mais fortes. Fez um gol lá pelo final do primeiro tempo e pronto. Foi isso.
Claro que a maior discussão no dia de hoje é sobre o jogo. Cada jogador, o técnico, a nutricionista, enfim, qualquer integrante da equipe técnica, todos foram de uma forma ou de outra criticados por alguém em algum escritório ou fábrica do país na hora do cafezinho.
O que me incomoda é que nada disso muda o fato de que às 4 horas da tarde de ontem tudo parou. Não estou reclamando, falando que o povo é preguiçoso ou qualquer coisa do gênero. Acho importante essa participação. E mesmo tendo sido um jogo morno, toda a empolgação que envolvia o trânsito, as ruas e as ilhas de cerveja dos mercados vai voltar a acontecer no domingo, no segundo jogo do Brasil nesse campeonato.
Admiro tudo isso, todo o patriotismo que surge no âmago de cada um de nós em época de futebol. Acho o máximo ir trabalhar e ver metade dos meus colegas transvestidos de verde-amarelo. Crianças que mal sabem falar brincando com a bandeira. Fogos de artifício no final do jogo. E principalmente o fato de que não importa o resultado, no próximo jogo toda essa excitação vai estar lá de novo, no coração de cada um de nós.
A minha preocupação é o fato de que, como disse no começo, brasileiro adora reclamar. E de política, ainda mais de que futebol. Há mais ou menos um ano e meio uma crise política se estende nas três esferas do poder. E o que eu vejo a minha volta é uma porção de reclamões que não querem aceitar a derrota anterior, e aproveitar o próximo jogo do torneio pra demonstrar o quanto se importa com este país. Desiludidos ou enganados, a grande maioria trata as eleições como uma obrigação trouxa, uma vez que nem um político presta mesmo.
Um desafio então. De hoje até o fim da copa, a primeira matéria que você deve ler vai ser sobre a eleição. E a última também. E no meio, tanto faz.
E no dia de votar, vamos tentar lembrar da emoção que sentimos por sermos brasileiros.

6.6.06

The number of the beast


No dia 9/9/99 meus pais casaram pela segunda vez. Acharam a data bacana, era o vigésimo-primeiro aniversário de casamento deles e tal. Lá estávamos eu e meu irmão de testemunhas. Tudo muito bonito. O ser humano tem essa coisa com datas e números que é difícil de explicar. Vide toda a euforia que o buggy do milênio e toda a histeria nova era, Paulo Coelho e auto-ajuda causaram no fim do século passado.
Em um universo paralelo, as notícias do jornal de amanhã deveriam ser lidas assim: "Hospital em Togo confirma o nascimento do Anticristo"; "Milhares de pessoas se emocionam ao ouvir as trombetas do apocalipse"; "Boca do Inferno se abre no meio de Nova York e demônios invadem a ONU"; "Após discussões efêmeras sobre futebol, Kischner declara guerra ao Brasil; Acredita-se tal ato possa tomar proporções mundiais"; "Organização Mundial da Saúde adverte: doces causam câncer de estômago".
Nesse universo aqui, matérias mornas aparecem nos jornais nessa manhã tranquila. Menos mal... Anticristo, trombetas e demônios dá pra levar na boa, mas já pensou em ter que parar de comer doce?!
E na Holanda o maior número de registros para casamento foram marcados para o dia de hoje. Belo jeito de começar uma família...
E no fim, historiadores começam a acreditar na possibilidade da tradução do original ter sido equivocada...
E eu hoje só vou ouvir heavy metal....