Há extamente um ano eu me tornei uma ilustríssima senhora. Comecei a minha carreira como servidora do estado.
E sabe o que é engraçado? Só depois que você começa a trabalhar na esfera pública você entende o porquê de todas as piadas e comentários maldosos feitos às custas de funcionários públicos. E o triste disso é que mesmo com todos os burocratas ignorantes que você vai encontrar pelo caminho, eventualmente pode empatar com pessoas interessantes, honestas e trabalhadoras. E são essas que só se dão mal.
É um paradigma cultural e ético na verdade. Por um lado, os rótulos já estão ali, prontos para serem usados, e por mais que você não concorde com eles, acaba por entender a motivação de quem os criou. E por outro, alguns desses rótulos são as características que podem te ajudar ir pra frente. Asqueroso pensar nisso.
Enfim, pra aqueles que se sentem ultrajados pela população, superiores e sindicatos, pela falta de aumento no salário decorrente de mera implicância do chefe do executivo com o poder judiciário do estado, pode se tornar um inferno levantar cedo e dar seu sangue nas atividades diárias. Mas depois desse ano, começo a perceber que tudo é uma questão de saber respirar fundo e se tornar dormente frente a tanta barbaridade. Como por o carro em ponto morto, sabe?
Enfim, a iniciativa privada não é a saída mais fácil também. Bom se pudessemos trabalhar como hobby, pra ocupar a cabeça e o tempo livre. Enquanto isso não é possível, fico aqui, contando pacientemente as semanas que faltam pras minhas férias.